franceses, muito dos quais eu via famintos e sedentos de Cristo, e a
muito Quando João Calvino começou a escrever a primeira edição das Institutas
da Religião Cristã, em 1535, com a idade de 27 anos, sua intenção era
de servir grandemente aos interesses protestantes, mas sua influência
deve ter excedido em muito a sua expectativa. Provou ser o trabalho
mais influente da Reforma Protestante. Os protestantes de outros países,
viram em Calvino, e em sua obra, um pilar de grande força para a obra
iniciada, pois que era um teólogo do mais alto grau, enquanto que os
romanistas temeram sua caneta como um dos inimigos mais fortes. A cidade suíça de Genebra, debaixo da
influência de Calvino como pastor e reformador, se tornou um refúgio
para o qual os fugitivos podiam abrigar-se livres de perseguição e era
um local onde eles aprendiam e equipavam-se como missionários e reformadores
para o envio ao serviço do evangelho. Verdadeiramente Genebra era o
centro da reforma protestante. O imperador Philip II, filho de Charles
V, expressou o pensamento de muitos inimigos da Reforma quando ele escreveu
o seguinte para o Rei de França, relativo a Genebra: "Esta cidade é
a fonte de todo o dano para a França e o maior inimigo de Roma. A qualquer
hora que precises de mim, estou pronto para ajudar, com todo o poder
do meu reino, para subvertê-la". O governo francês, por sua parte, ameaçou
destruir a cidade se ela não mantivesse os seus evangelistas dentro
de seus limites geográficos, tendo enviado um embaixador com esta notificação
àquela cidade. Os evangelistas protestantes, continuaram vertendo adiante,
em desafio ao governo francês, depois que Calvino pronunciou aos magistrados
da cidade de Genebra as seguintes palavras corajosas: "Já que a cidade
só depende do Deus Onipotente para sua proteção, a prudência mais alta
consiste na obediência mais perfeita ao Testamento dEle".
* * * Calvino nasceu na pequena cidade de Noyon, na França,
em 10 de junho de 1509, quando Lutero já havia ditado suas primeiras
conferências na Universidade de Wittenberg. Seu pai pertencia à classe
média da cidade e trabalhava principalmente como secretário do bispo
e procurador da biblioteca da catedral. Fazendo uso de tais conexões,
procurou para seu filho os benefícios eclesiásticos com os quais custeasse
seus estudos. Com esses recursos, Calvino foi estudar em Paris, onde
conheceu tanto o humanismo como a reação conservadora que se lhe opunha.
A discussão teológica que tinha lugar nos seus dias levou-o a conhecer
as doutrinas de Wyclif, Huss e Lutero. Porém, segundo ele mesmo disse:
"estava obstinadamente atado às superstições do papado". Em 1529 completou
seus estudos em Paris, ao obter o grau de Mestre em Artes, e decidiu
dedicar-se à jurisprudência. Com esse propósito, continuou seus estudos
em Orleans e em Bourges, sob a orientação dos dois mais célebres juristas
daquela época: Pierre de I'Estoile e Andrea Alciati.Não se sabe o motivo certo que levou Calvino a abandonar
a fé romana, nem a data exata em que isso ocorreu. Diferentemente de
Lutero, Calvino nos diz muito pouco sobre o estado interior de sua alma.
Porém o mais provável parece ser que, no meio do círculo de humanistas
que freqüentava e através de seus estudos das Escrituras e da antigüidade
cristã, Calvino chegou à convicção de que teria de abandonar a comunhão
romana e seguir o caminho dos protestantes. Em 1534, se apresentou em
sua cidade natal e renunciou aos benefícios eclesiásticos que seu pai
havia conseguido e que eram a sua principal fonte de sustento econômico.
Se ele já estava decidido neste momento, a abandonar a igreja romana,
ou se esse ato foi simplesmente um passo a mais na sua peregrinação
espiritual, nos é impossível saber. O fato é que em outubro de 1534
Francisco I, até então relativamente tolerante com os protestantes,
mudou sua política e, em janeiro seguinte, Calvino se exilava na cidade
protestante de Basiléia. Calvino sentia-se chamado a dedicar-se ao estudo
e às obras literárias. Seu propósito não era de modo algum chegar a
ser um dos líderes da Reforma, mas sim encontrar um lugar tranqüilo
onde pudesse estudar as Escrituras e escrever sobre a nova fé. Até então, quase toda literatura
protestante, chegava pela urgência da polêmica, e assim tratava somente
dos pontos em discussão, e havia dito pouca coisa sobre outras doutrinas
fundamentais do cristianismo, como por exemplo a Trindade, a Encarnação,
etc. O que Calvino se propunha então era cobrir esse vazio com um breve
manual ao qual deu o título de "Institutas da Religião Cristã". A primeira
edição surgiu em Basiléia, no ano de 1536. Era um livro de 516 páginas,
porém de formato pequeno, de modo que cabia facilmente nos amplos bolsos
que se usavam antigamente, e podia, dessarte, circular dissimuladamente
pela França. Constava de apenas seis capítulos. Os primeiros quatro
tratavam sobre a lei, o Credo, o Pai Nosso e os sacramentos. Os últimos
dois , de tom mais polêmico, resumiam a posição protestante com respeito
aos "falsos sacramentos" romanos e a liberdade cristã. O êxito desta
obra foi imediato e surpreendente. Em nove meses se esgotou a edição,
que, por estar em latim, era acessível a leitores de diversas nacionalidades.
A partir de então Calvino continuou preparando edições sucessivas das
Institutas que foi crescendo segundo iam passando os anos. Por toda obra se manifesta
um conhecimento profundo, não só das Escrituras, mas também de antigos
escritores cristãos, particularmente Agostinho, e as controvérsias teológicas
do século XVI. Sem dúvida alguma, esta foi a obra-prima de teologia
sistemática protestante em todo esse século. Mas , na realidade, Calvino
não tinha a menor intenção de se dedicar ativamente à obra de reformador.
Pois mesmo sentindo grande admiração por aqueles que assim fizeram,
seu maior desejo era o de poder se dedicar ao estudo e a literatura
reformada, não se vendo como pastor ou mesmo capacitado para tal obra.
Seu objetivo era de se estabelecer em Estrasburgo, onde a causa reformadora
havia triunfado, e onde havia uma grande atividade teológica e literária
que lhe parecia oferecer um ambiente propício para seus trabalhos. Mas,
quando para lá se dirigia, teve de desviar seu caminho e passar por
Genebra, em virtude de uma guerra. Os três anos que Calvino
passou em Estrasburgo foram provavelmente os mais felizes e tranqüilos
de sua vida. Porém apesar disso, lhe doía sempre não Ter podido continuar
a obra reformadora em Genebra, por cuja igreja sentia um grande amor
e responsabilidade. Portanto, quando as circunstâncias mudaram na cidade
suíça e o governo o convidou a regressar, Calvino não vacilou e uma
vez mais ficou com a responsabilidade da obra reformadora em Genebra.
Foi em meados de 1541 que Calvino regressou a Genebra. Uma de suas primeira
ações foi redigir as Ordenanças Eclesiásticas, que foram aprovadas pouco
meses depois pelo governo da cidade, se bem que com algumas emendas.
Segundo se estabelecia nelas, o governo da igreja ficava principalmente
nas mãos do Consistório, que era formado pelo pastores e por doze leigos
que recebiam o nome de "anciãos". Visto que os pastores eram cinco,
os leigos eram a maioria no Consistório. Porém apesar disso o impacto
pessoal de Calvino era tal que quase sempre esse corpo seguia suas orientações
e seus desejos.
Em 1559 Calvino viu cumprir-se um de sues sonhos, ao ser fundada a Academia
de Genebra, sob a direção de Teodoro de Beza, que depois sucedeu Calvino
como chefe religioso da cidade. Naquela academia se formou a juventude
genebrina segundo os princípios calvinistas.
Porém seu principal impacto se deve a que nela cursaram estudos superiores
pessoas procedentes de vários outros países, que depois levaram o calvinismo
a eles.
Transcrição parcial de "A Era dos Reformadores" - Justo
L. Gonzalez, publicado pela Sociedade Religiosa Edições Vida Nova